Caixa financia 80% do imóvel usado: a entrada caiu para 20%
Em outubro de 2025, a Caixa restabeleceu a cota de 80% de financiamento para imóvel usado pelo SBPE, revertendo o corte para 70% que estava em vigor desde novembro de 2024. Na prática, a entrada mínima exigida caiu de 35-40% para 20% do valor do imóvel, e a regra segue valendo em 2026. Para o corretor, isso reabre a conta de cliente que desistiu justamente na hora de juntar a entrada.
O que mudou
Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, a Caixa operou com uma cota reduzida de financiamento para imóvel usado dentro do SBPE, cobrindo até 70% do valor de avaliação. Na prática, isso empurrava a entrada exigida do comprador para a faixa de 35% a 40%, um valor que tirava boa parte dos clientes da conta antes mesmo da simulação de crédito.
A cota de 80%, pela tabela SAC, foi restabelecida em outubro de 2025. Com ela, a entrada mínima volta a girar em torno de 20% do valor do imóvel, e o FGTS pode ser usado para compor esse valor, respeitando os requisitos normais do fundo. Pela tabela Price, a cota financiada é menor, em torno de 70%, então a entrada exigida continua mais alta nessa modalidade.
SAC ou Price: a cota muda
| Tabela | Cota máxima financiada | Entrada mínima aproximada |
|---|---|---|
| SAC | Até 80% do valor de avaliação | 20% |
| Price | Até 70% do valor de avaliação | 30% |
A diferença entre as duas tabelas está na forma de amortização, não no crédito em si: SAC começa com parcela mais alta e cai ao longo do tempo, Price mantém a parcela estável. É a tabela escolhida que define a cota, então vale confirmar qual delas está na simulação antes de calcular a entrada com o cliente.
Por que a entrada trava mais que a taxa
É comum o corretor concentrar a conversa de crédito na taxa de juros, mas para boa parte dos clientes que desistem, o problema nunca foi a parcela: foi juntar o dinheiro da entrada antes de assinar. Uma entrada de 35% a 40% num imóvel de R$400 mil significa reunir R$140 mil a R$160 mil à vista, uma barreira que muita gente não vence mesmo com renda suficiente para pagar a parcela mensal.
Com a entrada caindo para 20%, esse mesmo imóvel passa a exigir R$80 mil à vista, valor que o FGTS acumulado ao longo de anos de carteira assinada consegue cobrir sozinho, em muitos casos. É essa conta que vale refazer com o cliente que sumiu.
A outra mudança: um financiamento por CPF deixou de ser regra
Em dezembro de 2025, a Caixa também removeu a trava que impedia um cliente com financiamento ativo pelo SBPE, ou seu cônjuge, de contratar um segundo financiamento imobiliário. Até então, ter um contrato em aberto travava automaticamente qualquer nova operação, independente da renda disponível.
Agora o limite deixou de ser o número de contratos e passou a ser a capacidade de pagamento: até 30% da renda bruta comprovada, somando todas as parcelas. Isso abre espaço para o cliente investidor que já tem a casa própria financiada e quer um segundo imóvel para locação. Uma ressalva importante: o uso do FGTS não se estende ao segundo financiamento se o cliente já tiver imóvel residencial na cidade onde mora ou trabalha, a mesma regra que já vale para o uso do fundo em geral.
O que fazer com isso no seu funil
Se um cliente seu esfriou porque "não fechava a entrada", essa é uma lista que vale reabrir agora, com a simulação atualizada. É provável que uma parte dela nunca soube que a regra mudou, porque estava justamente parada, sem contato novo.
É esse tipo de retomada que o Kit Operacional do Corretor organiza, com funil, previsão ponderada e alerta de quem está parado há tempo demais sem contato novo.
Fonte primária. InfoMoney, sobre a volta da cota de 80% em outubro de 2025, e CAIXA Notícias, sobre o fim da trava de financiamento único por CPF.
Aviso. Condições de financiamento variam por perfil de crédito, praça e política vigente do banco. Este texto é leitura de mercado para o corretor, a simulação e a aprovação de crédito são sempre feitas diretamente com a Caixa.